sexta-feira, 24 de junho de 2011

Uma nova alma à mesa fria

            Hoje a conversa foi boa àquela mesa fria onde a madrugada bate rápido e pela primeira vez, eu estranhei, pois não senti a tua falta, foram-me apresentadas palavras excitantes como as tuas, no entanto, mais convenientes e maduras, além disso, mais educadas e ainda, com formosura.
            Havia, finalmente, à minha frente, uma criatura, como eu mais sensível, que não se frustrou completamente diante as feridas da vida, menos maldosa, sem o fervor descontrolado do sexo nas ventas, uma depravação mais controlada e o meu sorriso – o qual já me fazia falta quando em pura curiosidade, exaltou-se em meu rosto livre verdadeiro – parecia você em nossos primeiros encontros, expandindo minha percepção, porém, é uma nova alma, mais jovem, mais alva e ainda assim, mais cautelosa.
            Inverossímil como chega rápido uma nova alma preenchendo o espaço vazio abandonado pela antiga.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Pois

            Sozinho, a dor sentida parece mais forte, a angustia apertada abre espaço ao cair das lágrimas. Nitidamente a intriga e a dor do amor não correspondido. A desventura acontece, pois.
Não há consolo que resolva a vontade da pessoa amada, a inquietude do coração despedaçado.
Não há remédio, é sofrer, pois.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Como eu gostaria

           Como eu gostaria de ir embora infeliz vida, infeliz tempo, infeliz mundo, como seria realidade a ida ferida medrosa fugidia. Ficaria a cor do batom contaminado intempestivo. Como eu gostaria de despedir-me leve sorrindo sabendo que tudo não seria resolvido. Eu a ridicularizo. Eu falo contigo porque preciso misericordiosamente humilhantemente de tu presente, real e firme. Minha infelicidade indistinta. Minha fome arruinada, antipatia azeda, azedume celestial mentiroso!
           Eu a odeio incontestavelmente; esta fome maldita, este instinto reprimido. Este sufoco imbecil!

" - Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe."  (José Régio)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mais que o corpo teu

            Há um cheiro de um corpo em meu corpo que não me pertence e que jamais me pertencerá, mas ao qual eu quero e não consigo me proibir de pedir e esperar.
Há pertences em meu quarto que a tal corpo pertencem aos quais me exijo olhar todas as noites.
            Há um corpo que me preenche bem enquanto não devo elucidá-lo, flameja intenso. Meus desejos decepcionam minha razão que não quer brincar em erro, trêmula pestanejo desistir, mas o porquê não se encontra.
            As perguntas continuam sem respostas, abandonar a felicidade momentânea por medo de sofrer parece difícil demais e o corpo meu relaxa agindo, tentando não esperar a felicidade abandona-lo.
            Paro de sorrir enquanto... de repente um telefonema teu, então o sorriso durará, após tal fato, o resto das horas, da noite, quando encabulada, antes que adormeça, interpretarei o corpo teu em meu corpo e ficarei cansada, adormecendo com os pensamentos, não no corpo teu, já de forma mentirosa usado, mas em você completo, o jeito, o diálogo, os sorrisos, a índole; tudo teu.